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por Manuel Reis, em 15.04.14

Ontem, após uma enorme antecipação, estreou Melhor Do Que Falecer. Vocês sabem que programa é, é o do Ricardo Araújo Pereira. Tal como disse, uma enorme antecipação. Ora, uma regra básica do entretenimento é que, quando há uma enorme antecipação, a generalidade das opiniões é a de que o primeiro capítulo é uma merda (palavra que substitui bem a expressão «abaixo das expectativas»). Ontem não foi excepção, não só porque as pessoas esperavam um comentário da actualidade (que não tem de ser necessariamente sobre as notícias do dia), mas principalmente porque houve...

 

RECICLAGEM DE TEXTO. [DRAMA BUTTON. Vão-me agradecer mais tarde.]

 

Uuuuiiii, que isto é grave. Um humorista a pegar em texto que já usou e a transpô-lo para outro meio de comunicação? Terrível! Não se faz! Feio! Mau comediante! Para o cesto!1

 

Só duas coisinhas rápidas para esta gente que acha que reciclar um texto de 2012 é pior que o Holocausto:

  • É perfeitamente natural existir reciclagem de texto. Senão vejamos: Ricardo Araújo Pereira terá de escrever, durante 3 meses, 5 minutos de material para a rádio e 5 minutos para a TV. Juntem a isso o tempo que dura uma filmagem (muito), e... Sim, RAP é um homem ocupado. E é só ele a escrever o material.
  • «Ah, mas não sei quê, eu já ouvi isto». 'Tá bem, tu já ouviste, a malta que ouve a Mixórdia enquanto está presa no IC19 também já ouviu, mas o público de rádio não é o mesmo da televisão. O público do RAP não é o mesmo da TVI. Bem pelo contrário. A TVI está aqui a apostar não só na popularidade deste guionista como também numa aproximação a outro tipo de público que, muito provavelmente, é o mesmo que ainda recorda os bons tempos em que o 4º canal dava séries estrangeiras em horário nobre e não era apenas um conjunto de programação (Casa dos Segredos, boa parte das novelas em que não alteram nada da história base, "reportagens" em que pedem aos idosos para mostrarem as cuecas no Você na TV) desenhada para estupidificar a população.2

Por isso, não o censurem. Se já ouviram o sketch na rádio ou em podcast, bom para vocês. Agora não façam é uma birra todos os dias só porque houve reciclagem de texto. Habituem-se e pode ser que comecem a gostar.

 

1: Infelizmente ainda existem pessoas que acham que o humorista é o seu animal de estimação.

2: Já viram o Idiocracy? É para lá que caminhamos.

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publicado às 14:38


6 comentários

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De ARMANDO CORREIA a 16.04.2014 às 14:47

Acabei há 2 minutos de ver os 2 primeiros episódios para poder perceber que tipo de programa seria, conclusão:
Todos os dias a caminho do trabalho ouço a Rádio Comercial e as duas rábulas apresentadas nos 2 programas são cópia da rádio.
Ricardo Araújo pereira é o comediante do capitalismo, catapultou-se com os gatos fedorentos, depois agarraram-se á PT e agora ao grupo de comunicação detentor da rádio Comercial, TVI e afins, não gostei, acho que é fazer render o peixe de uma peixaria falida.
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De vanita a 16.04.2014 às 14:58

Pago a peso de ouro. Por mim, tudo bem. Se me arranjarem tacho igual, alinho :)
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De Alexandra a 16.04.2014 às 16:44

Não sei até que ponto são programas para públicos diferentes, já que estamos a falar não do público da televisão e da rádio, mas sim do público do RAP... mas ainda assim, não vejo grande mal em repetir rábulas, mas logo no programa de estreia? Era de evitar, digo eu... teve bastante tempo para fazer mais e melhor... Indo por este caminho, do humor ao quilo, RAP vai-se estragar e é uma pena.
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De Fátima Bento a 16.04.2014 às 18:15

Nem mais.
Mas sabes aquela velhinha 'quem muitos burros toca...' e a outra 'que tudo quer...'
A imagem queima-se, e isso é uma coisa que me dá ideia que esta gente de há uns anos para cá se esqueceu...
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De Manuel Reis a 16.04.2014 às 18:22

Mesmo que o programa seja seguido pelo público do RAP (que presumo que seja), os públicos de rádio e de televisão (e as formas de se falar nos dois meios) são necessariamente diferentes. Não sou seguidor da Mixórdia, por isso em mim não fez mossa. Provavelmente foi uma opção que ele fez, de tentar o mesmo material feito de outra forma. Não acredito que toda a gente que ouça regularmente a Mixórdia de Temáticas tenha ouvido todas as emissões do programa, é habitual neste tipo de rubricas diárias. Eu próprio me confesso: Sou um ouvinte regular da Antena 3, mas não ouço todos os dias o Outra Coisa ou a rubrica do Serginho.

Quanto ao "estragar-se"... Normalmente estas coisas funcionam ao contrário. Dizemos que se vai estragar, e melhora. São 3 meses de programa. Dêem-lhe tempo. Não se atirem logo ao negativismo, ao "ah, eu já ouvi isto, não me interessa". Até pode ficar melhor com a produção. Não sei como é que querem fazer, isto sou eu que tenho 23 anos de idade e 23 anos de espectador televisivo, que viu as adaptações do HQMC à TV (também na TVI) e programas televisivos que não perdem muito ao ficar apenas em rádio/podcast (como o Real Time with Bill Maher). Pensem positivo e vão apreciar mais as coisas boas. A não ser que não gostem mesmo, aí não há volta a dar.
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De Alexandra a 16.04.2014 às 20:54

Eu gosto mais do trabalho dele "ao natural" e na rádio. Quando se mascara e faz personagens, não gosto tanto...

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