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por Manuel Reis, em 05.05.14

O meu primeiro telemóvel foi um Siemens. A55. Com WAP. Para quem já não se recorda do WAP, foi a primeira forma que os telemóveis (em 2003, praticamente todos ainda com ecrãs monocromáticos que não chegavam aos 4cm de altura!) tiveram de aceder à Internet. E o meu primeiro cartão, um amarelo da TMN (ainda com este logotipo), com o Mimo. Bons tempos, em que um carregamento obrigatório de 25€ a cada 3 meses davam e sobravam para tudo. A vida foi andando para a frente, o A55 foi dando problemas, e rapidamente o troquei por um Nokia 3200 (sempre fui um nerd, mesmo no inconsciente). Depois desse, em 2008, veio mais um Nokia, o 5700 (quando a Nokia ainda fazia bons telemóveis e tinha um sistema operativo decente e suportado nos principais SOs de computador) Sempre com TMN, até ao dia em que me ofereceram um cartão Yorn (Vodafone). Coloquei-o num Nokia 3310 que estava lá por casa parado e, após algum tempo a usar os dois números em simultâneo, passei a 100% para a Vodafone. A razão foi simples: A maior parte dos meus contactos era Vodafone ou então usava o mesmo tarifário que eu.

 

Mas, após cinco anos de luta (principalmente para continuar a funcionar), o Nokia 5700 estava a ceder gravemente. Isso juntado a um desejo antigo e... Pimba: iPhone 5s. Sem contratos, desbloqueado, adquirido directamente à Apple (é o melhor que fazem, visto que custa exactamente o mesmo caso o comprem bloqueado a qualquer uma das operadoras portuguesas).

 

Started from the bottom, now we're here. Neste caso do topo. Adiante.

 

2014. Em 11 anos, as necessidades dos consumidores mudaram. Os tarifários... Para ser sincero, não acho que tenham acompanhado. Neste momento, o que é preciso é, principalmente, tráfego de dados. A Vodafone, há uns tempos, começou com os tarifários pré-pagos RED, que eram parvos logo à partida porque substituiram os tarifários que tinham com mínimo de 600MB/mês por um com 200MB/mês. Não que isto me chateasse particularmente, porque continuo com pré-pagos, sem contratos, sem obrigações. Chateia é ver que a operadora em que estou não se preocupa em tentar melhorar os tarifários (bem pelo contrário) e, sobretudo, que essa falta de preocupação se alastra aos outros tarifários da empresa, quando há concorrência muito forte (e muito boa) dos outros lados da barricada. E não sou o único a achar isto - Quase 500 mil pessoas saíram da Vodafone no último ano. 500 mil pessoas não é pouco. É 5% da população nacional. É uma perda de 7% da vossa clientela num ano.

 

Nestes últimos 3 meses estive envolvido numa promoção da Yorn que oferecia 5GB de tráfego por mês. Acabou no dia 30. Mas pensei… Nestes últimos meses, eu fiz muitos carregamentos de 5 euros. MUITOS. Peguei na factura detalhada, e fiz as contas: Entre Fevereiro e Março, gastei só em comunicações (outros tarifários Vodafone, outras redes, números de apoio Vodafone e um ou outro 808 e 707) 23,95€. Juntando a isso 9 cobranças de 1,75€ (sempre à segunda-feira, e houve 9 em Fevereiro e Março), dá um total de 39,70€ - média de 19,85€/mês. Suponhamos que não tinha a promoção dos 5GB e estava com o meu tarifário normal, o Yorn W 2GB, 4,25€/semana. Seriam 62,20€ - média de 31,10€/mês. Na verdade, e se quiserem fazer um exercício matemático simples, seriam 30,19€. Mesmo assim, é muito.

 

Vodafone, estás em muitos maus lençóis na concorrência directa. Vamos colocar isto da seguinte maneira… Até o Moche fica mais barato. Muitos até dirão que o M4O era uma boa solução, e é. Don’t get me wrong, é um excelente tarifário… Para famílias. Para, pelo menos, mais de duas pessoas. Por isso, não me compensa.* Não vou voltar ao Meo. Porquê? Porque não é a solução mais barata. A mais barata é, sim… O WTF.

 

*Não apresento cálculos por um simples facto: Não tendo dados das comunicações gratuitas que fiz para a Vodafone, não me é possível fazer uma comparação minimamente justa, ao contrário do WTF. Mas considerando que faço bastantes chamadas para a Vodafone, nunca me iria compensar.

 

A comunicação geral da marca é, em bom português, uma bela merda. O site não tem nenhum texto minimamente sério (nem o site da Optimus), boa parte das respostas das FAQs estão em vídeo (o que é fantástico quando não se tem tráfego ilimitado para o YouTube - fix it!), os anúncios são fracos… Apesar do limite de idade para aderir a este tarifário ser de 25 anos, a campanha está claramente focada nos adolescentes (se bem que já me tenho cruzado com alguns menores de 18 que também não gostam da comunicação da marca). Portanto, o que é que me atrai? O preço. As condições. O dinheiro que realmente vou gastar. O facto de ainda ser suficientemente jovem para poder usufruir deste tarifário (quem tem mais de 25 anos não pode, sequer, aderir).

 

Pegando nas mesmas comunicações pagas que fiz, cheguei à conclusão de que com o WTF pagaria, só pelas comunicações, 3,66€... Nos dois meses! Só porque os 808 e 707 e serviços da operadora não estão incluídos no pacote de minutos. Dividindo isso pelos dois meses e adicionando a mensalidade (14,90€), ficamos com a bonita quantia de… 16,73€. Por mês. Para perspectivar, é uma poupança de 44,6% face às despesas médias que iria ter com um Yorn W 2GB. E não tenho tráfego contabilizado em algumas apps de mensagens que uso regularmente (o que é um bónus).

 

Claro, existem alguns "senãos":

  • Os 500 minutos não são 500 minutos, são 500 créditos. Ou seja, uma chamada de 1m1s irá contar como 2 créditos a menos. Mas mesmo passando os 70 minutos de chamadas que fiz para créditos - 79 - e especulando sobre as comunicações que fiz e que não foram contabilizadas na factura da Vodafone, não irei, de certo, ultrapassar esse limite. Mas, caso o ultrapasse, o tarifário é sempre mais barato que no Yorn W (0,15€/min. vs. 0,199€/min. para Vodafone ou 0,349€/min. para outras redes). Não é um “senão" tão grande, mas leva-nos ao “senão” maior, que é…
  • A taxação. 60+60 nas chamadas (já explicado nos créditos, mas que também se aplica nas chamadas caso se ultrapassem os 500 “minutos”) e 100KB na internet. Isto é que me chateia, porque tanto a Vodafone como o Meo taxam a cada 10KB. Mas não deve ser um problema.

 

Acho que aqui as vantagens são bastante superiores às desvantagens. Especialmente porque é mais barato. BEM mais barato. Por isso, Vodafone, daqui sai mais um. É pena, é verdade. Mas quando não respondes às necessidades dos consumidores a tempo… Eles vão saindo. Um de cada vez. Foquem-se nos clientes em vez de se focarem no que os outros fazem.

 

Ironia: Estar a escrever um post sobre a minha mudança da Vodafone para a Optimus num blog alojado no grupo PT. Qualquer dia faço o full circle. Se me derem um tarifário melhor, claro.

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publicado às 22:11


2 comentários

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De Rui Ferreira a 09.05.2014 às 13:48

Tanto a Vodafone como a TMN/Meo, são as que tem mais cota de mercado...

Logo não oferecem condições imbatíveis, porque claro está querem ter a sua cota, e porque a outra maior faz, nós fazemos...
A Optimus tem uma conta reduzida, logo tem de praticar planos diferentes, para angariar clientes.
Olha para os serviços TV+Net+Voz, a Vodafone ganha no preço, mas não tem assim tantos clientes. As outras duas limitam-se a copiar uma a outra porque, tem a sua cota grande.

Ainda há coisa de um ano, tinhas a Lyca Mobile... Mas... Assim que superou a ZON Mobile nos MVO, puf acabou com as promoções, e respetivamente milhares de clientes que se foram... Agora esta novamente a oferecer chamadas e cartões.

Manuel, nós só temos que mudar para o que nos interessa melhor. E Fizeste bem em fazer as contas. Sim, a Optimus nesse aspecto foi a melhor. Muito em breve a Optimus deixa de ser a Optimus e entra no jogo sujo das outras.

Eu proprio tenho o Tag Sub 25 (Que dentro em breve acaba, espero não perder). E vou ter de fazer as contas. Se calhar para mim, um Uzo 8 com um plano de 200mb chega, mas tudo depende...

Já agora um abraço!
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De Manuel Reis a 09.05.2014 às 15:36

Olá Rui! Obrigado pelo comentário.

Quando aderi ao WTF, foi-me referida uma grandfather clause, em que podia continuar a ter o WTF após fazer 26 anos por mais 5€/mês. Tenta ver se tens uma condição semelhante para o Tag,

Quanto às operadoras... Tivessem elas alguma preocupação em ouvir o que os clientes realmente querem, e o mundo seria melhor. Hell, não haveria tantas reclamações, de certeza. Neste momento há procura, mas não há oferta. Porque as operadoras não querem. É tão simples quanto isso.

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